16/06/2012




"A paz dos fortes"

            22 Junho

     20h às 21h - Av Almirante Reis



Victor de La Rocque_Bra "O Talho" 60´

O artista propõe a venda de seu corpo para o consumo dentro de um talho, o espectador assume o papel cúmplice da crueldade pelo simples observar da acção, estipulando metaforicamente um valor monetário a carne humana no sentido oposto ao amor próprio, pela vergonha, pela carência, pela descrença em si e nos seus próximos.


    21.30h às 01h - Espaço dos Anjos e do Urso

Patrícia Filipe_Prt "O Desenho que se Desloca" 30´
Nos seus últimos trabalhos procura estabelecer uma relação estreita entre a prática do desenho e as artes performativas. Um jogo guiado pela imprevisibilidade autoconsciente que convoca questões temáticas dos gender studies, pulsação rock n’roll , uma plástica  concreta , e um dramatismo relacional.

http://epipiderme.blogspot.pt/2010/09/10-encontro-15-09-2010.html


Jessica Fairfax Hirst
_Eua "Todas las Pastillas" 30´
Áreas de contração progressivas (zonas de deformação) são partes de carros que são projetados para ser esmagado no caso de um acidente. Acho que minha arte é uma zona de deformação, criado para ser esmagado, e para dar espaço a considerar aspectos desafiadores da vida.
http://jessicafhirst.com/


Cuco Suarez e Mónica Cofiño
_Esp "Cosa-Vision" 40´
Cuco Suarez trabalha a performance, mas também a instalação o vídeo, a escultura, as suas performances funcionam como pesquisa na percepção da tenção, que provoca a desconstrução de discurso a ironia, em relação à sociedade dos nossos dias.
http://www.cucosuarez.com/


            23 Junho

    15 às 18h -Praça do Comércio

André Fonseca_Prt "Lifejacket for dead people" 30´
André Fonseca cria aqui uma performance que irá interagir com a massa de Rio, propõem-se reorganizar performativiamente uma narrativa doce, inerente ao sistema de pânico.
http://andrefonseca.org/

Vitor Lago Silva_Prt "The last words of Domenico" 40´
Este projecto utiliza as palavras de Domenico, personagem do filme "Nostalghia" de Andrei Tarkovsky. O discurso de Domenico é re-misturado e reconstruído num novo discurso através dos movimentos do "performer", atribuindo-lhe novas vozes.
http://thelastwordsofdomenico.wordpress.com/


    18.30h às 8h do dia 24  - Cais do Sodré

Maria dos Milagres_Prt "Lit le Lit"
Interessa-me esse quiasmo da realidade em que dois espaços se cruzam, no momento do repouso, quando a linha horizontal que alimenta a verticalidade da vida se cruza no acto de dormir, criando assim um “espaço outro” - le lit.
http://www.ouiperformance.org.uk/past/aan4



            24 Junho - Espaço dos Anjos e do Urso
 
    15h às 18h
Conversa com os artistas mediada por
Marta Santos Azevedo


    19h às 20h
  Video - Performance

Rocío Boliver_Mex "A ritmo de Swing"
http://www.rocioboliver.com/

Ramón Churruca_Esp "Anomalia anormal"
http://ramonchurruca.com/

Carlos Llavata_Esp "Simulacro"
http://www.carlosllavata.org/




Cura Dores
Nuno Oliveira e Margarida Chambel



"- Sei apenas duas coisas muito simples, disse Heikal.(…)- A primeira é que o mundo onde vivemos é regido pela mais ignóbil quadrilha de tratantes que alguma vez pisou o chão deste planeta.(…) A segunda é esta: acima de tudo, convém não os levarmos a sério; é isso que eles querem, que os levemos a sério."
Albert Cossery, 'A Violência E O Escárnio


É de referir que escolhemos este nome “a paz dos fortes” para estes encontros de performance, com base numa frase que nos tinha ficado na cabeça de Yasser Arafat "a paz dos bravos”, esta frase e outras como ''trago um ramo de oliveira e a arma de um lutador pela liberdade'', eram contraditórias na altura entre um inevitável tom bélico e uma afirmação possível de adesão, algo universal a causa da paz.
Estas frases, não discutindo agora a sua verdade ou mesmo contradições, vêm do na altura porta-voz de uma região cercada militarmente e em estado de guerra e tornam-se muito concretas por isso, carregam o seu sentido de forma dramática, evocam vida e morte num futuro que se quer de fuga, evocam a escapagem dum conflito perpétuo de luta pelo poder e território.
Fazendo uma analogia com o sentimento de cerco, que por esta altura também em “portugal” impera, falando de condicionantes exteriores que de repente se tornaram o discurso local, desta crise que de repente se tornou discurso obrigatório, pensamos esta proposta “a paz dos fortes” como pensamento sobre a fuga.

Em “portugal” sofre-se de uma certa instrumentalização e complexo de culpa, impera a ideia que nos devemos virar para a optimização económica do "país", tudo o que é discussão material de repente torna-se esmagador.
Este pensamento de impossibilidade económica vem acompanhada da ideia de apocalipse, de que tudo isto pode ter fim e de que a acção indivudual dos indivíduos de nada vale.
A ideia de fuga é vista de forma prejorativa mas se pensarmos por suposição que existe realmente um cerco, que a realidade material, está suspensa como solução em países em crise, a única forma de transcender o seu cerco é a fuga, assim a fuga ganha a sua absolvição.

Mas neste contexto de razão prática, o fazer artístico, esta espécie de intervalo na sirene de pânico, só atrapalha, só vem perpetuar-se enquanto modelo de vida fora desta razão, a disfuncionalidade.
O experimental, um certo espírito de crítica e provocação, a autonomia do discurso, alguns comportamentos que podem ser inerentes à arte contemporânea, parece, só viriam trazer a desrazão desta lógica activa, desta instrumentalização e assim parece que acabou por se impor que países sobre a alçada da troika, não se podiam dar ao luxo de ter ministérios da cultura.
Não que a existência do ministério só por si como institucionalização tenha imediatamente algo que ver com arte, mas parece ser um indicador, do que é necessário e do que é desnecessário em termos políticos.

No caso de “portugal” poderá ser um indicador em termos políticos e também em termos sociais já que o acabar com o ministério não pareceu ser um tema que tenha experimentado a indignação generalizada das pessoas, talvez advenha esta questão de que o fazer artístico seja uma espécie de prima em segundo grau no entramado da economia e da venda de objectos, o seu charme de forma triste esteja um pouco reduzido a isto.
Instrumentalizando-se à “esquerda” e à “direita”, o discurso, um certo espírito conservador e de contenção de gastos, de possibilidades, aplicando-se num espaço ilimitado, o das artes, a imaginação, o efémero, as mesmas regras da poupança aplicadas às derivas da obesidade e anorexia material.

Programámos assim estes 3 dias pensando as propostas de performance, como fuga desta espécie de mesquinhes do quotidiano, fuga a um certo pudor materialista generalizado, pensando o político e o poético como instrumentos constantes do corpo a que se retorna na performance,
A curadoria "a paz dos fortes", joga com o assumir de uma certa plasticidade imersiva, ostentativa.
Neste dias de programação esperam-se propostas onde se podem cruzar, resistência temporal, propostas de longa duração; o instalativo, a imersão do corpo na matéria; o político, focando-se assim enquanto desafio, o Espaço, o Tempo e o Autoral.






Equipa de produção
Sofia Silveira, Bernardo Rodrigues, Nuno Minó, João Abel, Maria dos Milagres

Vídeo e Fotografia
Ricardo Silveira

Desenho e imagem
Nuno Viegas





*na 6ª feira pede-se 4 eur




20/03/2012






"Cave of Forgotten Dreams"
Epipiderme21

24 de Março 21h30
Performance

25 de Março 18h
Filme "A casa das duas Portas" de João Abel
Conversa com os Artistas participantes em "Cave of Forgotten Dreams"

O referente deste evento sob o título “The cave of forgotten dreams” faz alusão ao nome do documentário sobre as pinturas rupestres da gruta Chauvet do realizador Werner Herzog.
A proposta deste evento cruza algumas ideias que parecem fazer sentido. Aplica alguns conceitos propostos no documentário à construção de um evento de performance.

Contexto do Referente

O filme de Herzog faz a analise de um dos maiores achados de pinturas rupestres que se conhece. Parece progredir no sentido de se perceber a dimensão maior dessa expressão gráfica de animais de caça representados nas paredes das cavernas, tentando captar o que têm de ritual humano. Sugere que as pinturas rupestres dançavam nas paredes com piscar das fogueiras, formando um puzzle cénico, uma espécie de proto-cinema. Assim era algo mais do que só pinturas.

O filme, na procura do que era este homem do passado, vai recompondo fragmentos com a ajuda de cientistas e outros especialistas. Algumas questões são reforçadas, como por exemplo, quando é dito que estamos agora presos na história ao contrário do que acontecia no passado. Para discutir isto mostra-se que as representações gráficas nas cavernas não mudavam entre espaços temporais de 5 em 5 mil anos ou de 10 em 10 mil.
Pessoalmente falando, graficamente, pela analise do traço que em nada fica atrás do que é a capacidade de representação à vista dos artistas de agora, cabe-me dizer que o homem pré-histórico não estava preso no tempo por dificuldades de representação ou outras dificuldades cognitivas. Como vai sendo explorado no filme, o tempo fechado do agora e o tempo aberto do passado, talvez se devam ao desinteresse deste homem do passado pelos conceitos actuais de evolução e identidade temporal, desenvolvendo, ao invés, outras faculdades que tinham que ver com a sua condição de homens integrados na Natureza.

Um dos cientistas, comenta que a este homem do passado não se devia ter dado o nome de homo-sapiens, porque não é isso que melhor define esta época mas homo-espiritual, refere que eles viviam com dois conceitos maiores a Permeabilidade que tinha que ver com a questão de não fazerem separação entre homem, animal ou outra realidade inanimada, a questão do animismo, o homem podia se transformar num animal ou vice-versa, e também o conceito de Fluidez, conceito que é descrito como a não separação entre a dimensão dos vivos e dos mortos – os espíritos. O xamã podia evocar os espíritos que vinham do sobrenatural. Vivia assim este homem em simultaneidade com todas estas dimensão intuitivas e complexas.

Herzog parece melancolicamente saudoso deste tempo cheio de mistérios, rituais e intuições. No fim há como que um lamento da incapacidade do homem actual voltar a viver essa dimensão maior.

A nossa ideia com esta curadoria é, seguindo uma estética de fragmento, criar um descentramento da autoria acumulativo numa performance-massa interdisciplinar, onde se explora a natureza ritualista das pinturas rupestres; trabalhar de alguma forma com as ideias de Permeabilidade e de Fluidez com a interdisciplinaridade sonora e plástica. As várias estruturas plásticas palpitam e comunicam entre si sem encontrar, de forma óbvia, um único centro, um único criador, criando com isto uma “máquina” contínua.
O que propomos de modo factual aos artistas é que a apresentação de cada grupo tenha de 20 a 30 minutos, e que de uma apresentação para outra a passagem não seja demarcada, permitindo às acções dos vários artistas uma continuidade no seu conjunto.

Curadoria de Nuno Oliveira e Margarida Chambel



Performance:

24 de Março 21h30
Performance


Jose Manuel García (Esp)


A Ko.Zinha (Pt, Esp, Holanda)

Bernardo Rodrigues (Pt)

André Fonseca (Pt)

António Azenha (Pt)

Alexandre A. R. Costa (Pt)

Márcio-André e Ana Gesto (Br, Esp)





25 de Março 18h

Filme "A casa das duas Portas" de Abel Pinheiro
seguido de conversa com os Artistas participantes em "Cave of Forgotten Dreams"


RESUMO DO ENCONTRO








Registos Vídeo Mario Gutiérrez Cru
Registos Fotográfico Ricardo Silveira

Design Marcio-André
Equipa epipiderme no evento João Abel, Sofia Silveira, Margarida Chambel, Nuno Oliveira, Maria dos Milagres, Mario Gutiérrez Cru, Chambel Santos

20/09/2011

20º Encontro (22-09-2011 e 27-09-2011)




1ª parte dia 22 de Setembro:

ANTONIO AZENHA_portugal

Nesta performance, pretende-se estabelecer uma situação contínua, à semelhança de um mundo primitivo, em que não existe fronteiras entre o animal, vegetal, e o mineral, tudo pertence à mesma globalidade sagrada. Não, enquanto imitação dos deuses, mas mais como repetição das acções divinas. Esta aproximação das dimensões rituais às práticas religiosas com a função de pôr o corpo a falar fora da margem do signo, com carácter desmaterializante, assumindo o mero som ou ruído de exploração vocal, e quando há palavras estas reduzem-se a pequenas frases ou a palavras isoladas, mais próximo das fórmulas Zen. Esta operação da radicalização da modernidade, ao incorporar nos actos e nos corpos essas práticas ou funções objectuais, não sendo mais do que meras sugestões formais. O apelo ao carácter presentacional e não representacional, torna-se o corpo um veículo de significação sem recorrer ao conceito de personagem.
Uma procura de formas primárias, de um regresso a um tempo primordial, à ressacralização do acto artístico.


RICARDO DOMENECK_brasil

O trabalho de Ricardo Domeneck conjuga elementos de textualismo e videoarte, buscando funcionar na fronteira entre as tradições literária e oral. Utiliza um vocabulário multidisciplinar, movendo-se entre escrita, videoarte e performance, colaborando ainda com artistas sonoros como o duo brasileiro Tetine ou o músico alemão Uli Buder, assim como a partir de sua própria pesquisa, com um coletivo, das técnicas coligidas e sistematizadas pelo coreógrafo brasileiro Klauss Vianna. Tais experiências, unidas ao contacto direto com o público, como DJ e através da oralização de seus textos em festivais de poesia, levam seu trabalho poético a uma prática minimalista em que o material imagético e textual é buscado em seu próprio corpo.


MÁRCIO-ANDRÉ_brasil

O trabalho de Márcio-André reúne poesia, pensamento, música concreta, arte digital e cinema. Apresentou-se em mostras e festivais na Argentina, México, Espanha, Brasil, Peru, Ucrania, França, EUA, Hungria e Reino Unido. No ano de 2007, realizou a performance suicida nos escombros da cidade fantasma de Pripyat, em Chernobyl, convertendo-se no primeiro poeta radioactivo do mundo. Em Suspensión, Márcio-André produz sons ao vivo, valendo-se de um violino elétrico suspenso no espaço por cordas elásticas, bem como de microfones, latas e objetos sonoros pendidos do teto. Suspensión, concebida originalmente para o Museu Eugênio Granell, na Espanha, propõe uma relação espacializada e dinamizada da poesia com o público, aproximando-se da instalação. O público, inserido dentro do espaço do espetáculo, dá, com o próprio corpo, diferentes formas ao som produzido, além de que cada espectador, por estar em uma diferente relação com as inúmeras caixas de som espalhadas pela sala, concebe um espetáculo próprio.


Vídeo de Mario Gutiérrez Cru

2ª parte dia 29 de Setembro:

ANA CORDEIRO REIS- HYAENA FIERLING REICH_portugal

Dedica-se à música experimental / improvisada/ ruídista desde 1996.

O seu trabalho é baseado na improvisação e experimentação, envolvendo a captura de sons e paisagens sonoras, bem como programação e edição (com base em cânones do som do filme) de sequências de sons originados por fontes sonoras heterodoxas - madeira e objectos de metal, pedras , diferentes instrumentos (guitarra baixo preparada, Hexluth - eletrificada luth, Moog e sintetizadores Micro Korg) ou a exploração de possibilidades de som em espaços com características acústicas estranhas.
Cria sequências de som que num momento posterior são editadas e transformadas de acordo com a composição, quebrando as fronteiras do som experimental e música no espaço fílmico. Em 2006, ela cunhou o Cosmobruitism novo género musical com a sua peça Cataclypsa Galakteia, uma colisão frontal de Grindcore e Aerobruitism.

Estudou experimentação, improvisação musical e musicologia com os músicos Portugueses, pioneiros, Vitor Rua e Jorge Lima Barreto (Telectu) e é a mentora dos projectos Imbolc, ZLKNF, Arraial e Satnorte, sendo também a fundadora do colectivo experimental Sabotage en Masse, e tendo recentemente se unido com ZOTE, formando o colectivo chamado Implante Luz. Assina como Hyaena Fierling Reich, um nome atribuído pelo seu professor Jorge Lima Barreto em 2006.

JESÚS RITO GARCÍA_ méxico
Musicos: CHAMBEL SANTOS e MÁRCIO-ANDRÉ

Jesús Rito García (México, 1980). Poeta, ensaísta e editor; autor do livro Recuerdos que no emigran (Pharus/Praxis, 2008). Participou em diversas antologías de língua espanhola: Práctica poética, Ediciones a mano, 2001; Catálogo de artistas en Oaxaca, Tomo II, Casa de la cultura de Oaxaca, 2003; La hermandad de la uva, Los absolutistas editores, 2005; Pie de foto, catálogo de fotografía y poesía, Nueva Babel, 2010 y Poemas para un poeta que dejó la poesía, México, Cuadernos de El Financiero, 2011. É criador e diretor do projeto Editorial Pharus de Oaxaca. Pertenece ao movimento poscorrientista.

Poesia para ninguém

Um viajante envia postais sem destinatários. Cada postal leva um poema ou uma mensagem que não tem destinatário, às vezes são mulheres, irmãos, amigos. Os poemas se apresentam visualmente como postais que tenham alguma imagem de um país distante, de um lugar desconhecido. A idéia principal é falar da poesia livre e sem objetivos precisos. Com estas poemas-cartas-postales, procura-se interagir com música que tenham algo que ver com o país que se mostre no postal.

Marketing poético

Poemas que serão lidos como comerciais de TV o radio. Cada um tem uma ilustração comercial para o poema. Os temas dos poemas são elementos que se difundem da mesma forma que as empresas fazem para vender seus produtos. Nesta ocasião será a poesia e os temas poéticos.


SILVIO DE GRACIA_argentina

Silvio de Gracia propõe em vídeo uma intervenção urbana realizada em Lisboa que passará por 10 cidades.

"Walking with Duchamp" tenta espalhar a inquietação. No entanto, esta inquietude, ao contrário de outras práticas desenvolvidas nos anos 60 e década de 70, afasta-se da provocação "arbitrária", bem como do activismo. No contexto de uma distopia da contemporaneidade, o objectivo da interferência não é criar acções de comunicação artística destinada a promover mudanças sociais, mas facilitar uma tendência utópica, conectar experiência pessoal estética e reeditar o ideal avant-garde da vida vinculada à arte. Já não é o caso de produções simbólicas que estão dentro do discurso da arte politizada.
Silvio de Garcia está preocupado com a criação de acções que provocam ruptura ou abertura, não importando se isto é um acto efémero no tecido de condicionamento social.




10/07/2011

19º Encontro (14-07-2011)





18h
Performance em espaço publico no Terreiro do Paço Cais das Colunas.

Performance:
Maria dos Milagres (Portugal)

Acção -Dobrar Duração: das 18.30h até ao por do sol
http://www.performancespace.org/artevict.php

Maria dos Milagres, vive e trabalha entre Lisboa e Bruxelas, nas suas performances pretende suscitar questionamento, leva esta tarefa à prática estimulando os presentes na acção a entrarem numa realidade especifica inusitada.
Decompõem alguns elementos do seu próprio quotidiano, transformados numa espécie de símbolo obsessivo, para que se expresse como ideia tornada realidade plástica.
Maria dos Milagres comenta assim o seu acto performático.
"A partir de folhas de papel brancas numeradas "ouro" cuja proporção corresponde ao rectângulo de ouro, dobro a minha procura dobrando o papel com a proporção áurea que existe nas minhas mãos, à procura do que não está em ninguém e está em todos.
Em toda a forma há vida e movimento, em todos nós há o mútuo, em todos nós existe dobra, e todos esperamos que o mútuo se dobre, ou que a dobra seja mútua e nos surpreenda ou não..."




21h
No Espaço do Urso e dos Anjos
Rua Palmira nº 5 r/c Dto, Metro Intendente - Lisboa

Performance:
Ramón Churruca (Espanha)

Retribution Duração: 30
http://www.euskomedia.org/aunamendi/27277

Um dos maiores expoentes da performance no País Basco e também um dos mais desprezados pela "Mafia da arte conceptual Basca" -pelas palavras do próprio performer. Ramón Churruca, faz, do seu corpo, linguagem, ideias e objecto. A sua contínua dedicação à performance e o carácter grotesco, crítico dos "sistemas", que apresenta em publico, cuja energia põe em jogo padrões sociais e psicológicas, evocam uma das principais características da sua proposta: a incisão; o tocar onde “dói”, sem meias palavras. Assistir a uma de suas acções, é ver a criatividade na sua forma mais pura e catártica.

Performance simultânea:
Duração: 30´

Wagner Rossi Campos (Brasil)
http://www.performancespace.org/artevict.php

Wagner Rossi Campos- trabalha a performance como um campo ampliado da arte, como performer mas também abordando as questões da curadoria e os seu limites, com o projecto PERPENDICULAR, tenta criar este cruzamento entre a curadoria e prática artística, no sentido de criar um sentido maio activador do fazer e pensar em arte.
Do suas propostas comenta.
"Em certo momento da vida, percebi que meu corpo estava morto. Dessa percepção, fiz do luto o princípio da metamorfose. Vertigens, dores agudas, queda – sempre a sensação de queda! A até então desejada organização – social, geográfica, cultural, corporal – perdeu qualquer sentido e, diante do estado caótico de um corpo que não agüenta mais, uma abertura permitiu vislumbres de outra existência. “Quero viver!” E dessa Vontade de Potência, na esteira de Nietzsche, tenho meu corpo como meu próprio trabalho, em luta por expansão e crescimento. A impermanência é uma certeza, as resistências do meio são os estímulos, o devir a realidade, os encontros uma possibilidade de prática."


Nathalie Mba Bikoro (França/Gabão)
http://nbikoro.weebly.com/

Nathalie Mba Bikoro trabalha com as questões da liminaridade, da diferença cultural, física, fronteiras geográficas, questionando o momento de relação com o "outro", o sentido Antropológico e os seus dispositivo teóricos do "outro" como coisa exótica.
Além do seu trabalho como perfomer, desenvolve trabalho no campo da curadoria, assim como da escrita e da filosofia, interessa-se pelas políticas culturais africanas, criando ligações entre comunidades da Europa e de África, partilhando ideias de um "Re-nascimento" Africano.

Johannes Blomqvist (Suécia)

Johannes trabalha principalmente com propostas artisticas focadas na performance, mas também com teatro, dança e instalações. Tem participado em muitos festivais, apresentado trabalhos em galerias e outros eventos em países, como Noruega, Finlândia, Inglaterra, Eslovénia e Brasil.
Iniciou uma plataforma para a performance chamada PAIN (Performance Art Em Norrbotten), que organiza eventos de performance, Residências de Artistas e workshops em Norrbotten.


Concerto- Performance:
Presidente Drógado (Portugal)

Duração: 30´

Personagem musical criada por Filipe Leote (nascido na Rua da Palma, Lisboa em 1968), o Presidente Drógado podia estar a arrumar carros no Intendente, mesmo em frente do bar onde o Tom Waits gostaria de dar um concerto. Em vez disso, pega numa guitarra (semi-acústica) e presta homenagem ao Portugal castiço regado a tinto e alimentado a futebol. Recorrendo à apropriação e reciclagem de musicas e textos, da mais fina erudição ao universo popular brejeiro e à musica underground (e não só) - a que acrescenta outros da sua autoria - o Presidente Drógado faz uma viagem trágico-cómica e picaresca pela transcultura global, ao encontro de personagens mitológicos, castelos cheios de vento, num país que ainda não o é. (por Ana Menezes)

Performance e Lançamento de 2 livros:



Esquizotrans
Fabiane Borges e Hilan Bensusan
(Brasil)

“Breviario de Pornografia Esquizotrans” e “Dominios do Demasiado” Duração: 30´

Coletivo dedicado à causa dos esquisitos, desajustados, eroticamente transviados. Dedica-se a produção de filmes, performances, textos e intervencoes com e sem registros.
Fabiane Borges – Doutoranda em psicologia clinica, atualmente desenvolve pesquisa em Londres na Universidade Goldsmiths em arte, midia e tecnologia – performer, ensaista, produtora de eventos de arte e midia desde 2003, organizadora do livro: Ideias Perigozas – Submidialogias (midia e tecnologia), Dominios do demasiado (coletivos de arte, processos imersivos e ocupacao), Breviario de Pornografia Esquizotrans, com Hilan Bensusan (contos eroticos sobre politicas sexuais).
Hilan Bensusan – Doutor em filosofia, professor adjunto da Universidade de Brasilia (UNB) Performer, ensaista, autor do livro Excessos e Excessoes, Breviario de Pornografia Esquizotrans, com Fabiane Borges (contos politicos sobre diversidade sexual).

10/05/2011

18º Encontro (12-05-2011)






Programa 12 de Maio 2011 (21H)
No Espaço do Urso e dos Anjos
Rua Palmira nº 5 r/c Dto, Metro Intendente - Lisboa
Performance:

Vitor Lago Silva (Portugal)
“THE LAST WORDS OF DOMENICO” Duração: 7´



Concerto de Vitor Lago Silva e João Maia e Silva (Portugal)
"ATTIC TESLA" Duração: 25´
http://thelastwordsofdomenico.wordpress.com/
http://fotocrono-fatosensivelwireless-vls.blogspot.com/

Proposta “The Last Words of Domenico” de Vitor Lago Silva e o concerto “Attic Tesla” João Maia e Silva e Vitor Lago Silva, são duas peças que se completam.
Este projecto “The Last Words of Domenico” utiliza as palavras de Domenico, personagem do filme "Nostalghia" de Andrei Tarkovsky. O discurso de Domenico é re-misturado e reconstruído num novo discurso através dos movimentos do "performer", atribuindo-lhe novas vozes.
Vitor L. Silva acredita que -os discursos na rua de homens loucos ocultam várias verdades indesejáveis.
Segundo o artista o principal propósito deste projecto é re-misturar o discurso de um desees homens (Domenico) procurando desta forma revelar esses significados ocultos.
Como diz J. Derrida, acredito que se desconstruirmos um discurso e o reconstruirmos novamente atribuindo-lhe uma nova forma é-nos possível descobrir novos significados desse discurso.
O 'performer', equipado com um "Fato Sensível Wireless", gera um discurso sonoro aleatório através dos seus movimentos e re-mistura esses sons através de uma luva sensível.
Esse "FSW" está equipado com vários sensores que capturam alguns movimentos do 'performer' e com um sistema wireless de envio dos dados dos sensores para um PC.


Ana Gesto (Espanha)
Cuatro Veces la edad (1978-2011) Duração: 20´
http://anagesto.blogspot.com

A performer Ana Gesto, artista visual, cujo trabalho funciona a meio caminho entre o vídeo, a fotografia, inspira-se na tradição audiovisual do registo da performance. Centra o seu interesse em termos plásticos na potência cénica e documental do meio performático, ao mesmo tempo que realiza incursões na linguagem escultórica e pictórica. Desenvolve a sua obra em torno das práticas culturais e sociais, abordando a sua identidade, de forma apaixonada, não isenta de uma certa desconstrução e perversão do meio.
A acção a realizar em Lisboa, Cuatro Veces la edad (1978-2011), parte de uma experiência realizada na natureza e que se transfere assim na forma de concerto sonoro para um novo espaço.
Esta peça será realizada num espaço onde haja uma encruzilhada, é constituída por uma roupa sonora, com cordas e 33 latas que a perfomer usará de forma ritualizada, a roupa (abrigo, capa, manto), proporcionará um jogo entre a aleatoriedade e o espaço sonoro.
A idade (1978-2011) é exposta pelas 33 latas e é a idade da performer, cada lata reafirmará de forma sonora e visual, o tempo, o tempo de uma existência.


Filipa Aranda com a participação de António M. Rodrigues (Portugal)
“Transgressões” Duração: 45
Nesta proposta “Transgressões” dois performers, um homem e uma mulher interagem com uma instalação, um labirinto de lâminas. A performance desenvolve-se através de uma narrativa em interacção entre os performers e o publico, apresenta-se como um ritual que a cada momento vai ganhando mais intensidade. O que aparece como linha de continuidade da performance é a questão da celebração, a performance neste caso parece procurar desvelar-se, através da fragilidade, intimidade e provocação, num momento que procura mais a partilha e uma maior sobriedade, no acto do fazer artístico. Filipa Aranda comenta assim a questão “a performance onde o «eu» é um ser interpessoal que permite uma relação com o «outro»; não é construído no isolamento social, mas no seu contacto com os outros. A identidade, que se conquista depois da desconstrução da personalidade «fabricada» pela sociedade, é partilhada. A performance, como transformação do «eu», expande a consciência colectiva; não interpreta a vida, mas participa no desenrolar da vida.”.
Situações de morte simbólica, morte e renascimento, são propostas jogando com a dualidade auto-sacrifício e prazer, as intenções da autora afirmam a ideia de partilha e catarse “A libertação da energia bloqueada dá lugar à purificação do corpo e da mente dos performers, e, consequentemente, da humanidade.”.

Vídeo- intervenções em espaço público:


GIA – Grupo de Interferência Ambiental (Salvador/Bahia – Brasil)
Duração: 20

Aleatoriedade, humor e reflexões a respeito da vida cotidiana e suas singularidades: talvez esses sejam pontos chaves do Grupo de Interferência Ambiental - GIA, coletivo artístico que foge a qualquer tentativa de definição.
O grupo é formado por artistas visuais, designers, arte-educadores e (às vezes) músicos que têm em comum, além da amizade, uma admiração pelas linguagens artísticas contemporâneas e sua pluralidade, mais especificamente àquelas relacionadas à arte e ao espaço público. Pode-se dizer que as práticas do GIA beberam na fonte da arte conceitual, em que o estatuto da obra de arte é negado, em favor do processo e, muitas vezes, da ação efêmera, buscando uma reconfiguração da relação entre o artista e o público.
Um dos principais objetivos do grupo é a utilização de meios que possibilitem atingir uma margem cada vez maior de pessoas, tomando de assalto o espaço público. Assim, as ações do GIA procuram interrogar as condições em que os indivíduos atuam com os elementos do seu entorno, produzindo, assim, significados sociais. E esses significados, são também, processuais, pois segundo John Cage “o mundo, na realidade, não é um objeto, é um processo”. O GIA, portanto, está disposto a questionar as convenções sociais sempre que possível, através de práticas concretas infiltradas em pequenas transgressões.
A estética GIA, baseada na simplicidade e ao mesmo tempo irônica, procura mostrar, portanto, que a arte está indissoluvelmente ligada à vida.
O grupo existe desde 2002 e os participantes atuais são: Mark Dayves, Everton Marco Santos, Tiago Ribeiro, Ludmila Britto, Tininha Llanos, Luis Parras, Cristiano Piton.

12/04/2011

17º Encontro (14-04-2011)




Programa 14 de Abril 2011 (21H)

No Espaço do Urso e dos Anjos
Rua Palmira nº 5 r/c Dto, Metro Intendente - Lisboa

Performance:

Isabel León (Espanha)
S/ título Duração: 30´
http://www.isabelleon.eu/web/index.php

O trabalho de Isabel León evoluiu desde a fotografia o vídeo até à performance, meio a que se dedica hoje de forma quase exclusiva. Pensa as suas performances, como um acto ligado à vida, as suas peças precisam obrigatoriamente de manter a sinceridade; assim como estar conectadas com os seus sentimentos, pensamentos e emoções mais intimas.
Dentro das práticas da performance, interessa-se especialmente pela interacção com o publico, como este contribui para que a obra exista. Faz do publico protagonista da sua obra, a suas performances são austeras quanto ao uso de meios técnicos e materiais.


Rita Rodríguez (Espanha)
“Performance clássica à maneira tradicional” Duração: 20´
http://www.ritarodriguez.eu/
http://www.hangar.org/gallery/ritarodriguez

Esta acção a apresentar no encontro epipiderme17, é apresentada pela segunda vez, a primeira apresentação teve lugar no Festival de performance em Pontevedra, Chamalle X.
Esta performance joga com os cruzamentos entre espaço publico e privado, pretende reflectir sobre a questão do uso do corpo, nu, em performance e com a ideia, tabu, do corpo nu em espaço público.
O trabalho de Rita Rodríguez toca várias vertentes desde o vídeo, à instalação, à performance.
A artista parece ter como manifesto geral nas suas propostas- “a tenção gerada entre a essência irracional do ser humano e as pautas sociais, a qual emana um equilíbrio instável que permite alcançar uma “sublimação” agradável" desta forma utiliza muitas vezes o jogo social face ao sistema, ao qual diz pertencer e desde dentro deste, de forma cúmplice experimenta a ironia. Trabalha com materiais simples, esclarece "com os que tem mais à mão" e muitas vezes com a participação do publico.

Vídeo- performance:

BBB Johannes Deimling (Alemanha)
“D-249736810” Duração: 17´
http://www.bbbjohannesdeimling.de/index.php?/work/performance/

“D-249736810” é um vídeo registo de uma performance realizada em Telavive em 2007, Israel.
BBB Johannes Deimling 1969, desde 1988 trabalha com performance art, vídeo, objecto, instalação, desenho e música; tendo focando-se especialmente na performance como forma de expressão, sendo o seu trabalho internacionalmente reconhecido.
O artista cria imagens vivas, que transforma em símbolos pictóricos. Baseia as suas propostas num momento que se quer incisivo catalizador de uma realidade tangível, solidificada - no momento de apresentação constitui-se uma imagem, muitas vezes com foco na realidade quotidiana ou em situações de conflito social.
Para BBB Johannes Deimling a escolha do meio a performance é uma escolha que implica um valor social e artístico, esta escolha orienta o fazer artístico mais para uma pratica de auto-relação com a vida e o quotidiano, do que o sentido de uma arte criada para um espaço de memória e do museu, para ele é uma prática radical e honesta de construção de sentido, dentro das artes visuais, onde a criação de uma obra de arte, a sua apresentação, recepção e reflexão unem-se num só momento.

*Por motivos de ordem técnica "Caminho de Bicho" de Paulo Morais não se vai realizar neste Epipiderme, pedimos imensas desculpas.